| ATENÇÃO: Este artigo ou secção não cita as suas fontes ou referências, em desacordo com a política de verificabilidade. Ajude a melhorar este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto ou em notas de rodapé. |
| Jerusalém | |||
Vista de Jerusalém do Monte das Oliveiras. |
|||
|
|||
| Hebraico | יְרוּשָׁלַיִם | ||
| Árabe | Oficialmente em Israel أورشليم القدس (Urshalim-Al-Quds) Usualmente القـُدْس(Al-Quds) |
||
| Significado | Hebraico: Árabe: "A Sagrada" |
||
| Governo | Cidade | ||
| Distrito | Jerusalém | ||
| Coordenadas | 31° 47′ N 35° 13′ E | ||
| População | 732 100 (2007) | ||
| Jurisdição | 125156 dunams (125 156 km²) | ||
| Prefeito | Uri Lupolianski | ||
| Website | www.jerusalem.muni.il | ||
Jerusalém (em hebraico moderno: ירושלים, Yerushaláyim; em hebraico clássico: ירושלם; em árabe: القدس, al-Quds: em grego Ιεροσόλυμα, Ierossólyma) [ii] , é a capital[iii] de Israel e sua maior cidade [1] tanto em população e área,[2] com 732.100 residentes em uma área de 125.1 km² ou 49 milhas, se a área disputada ao leste de Jerusalém é incluída.[3][4][iv] Localizada na Montanha judéia, entre o mar mediterrâneo e o norte do Mar morto, a Jerusalém moderna tem crescido aos arredores da cidade antiga.
A cidade tem uma história que data do 4º milênio a.C., tornando-a uma das mais antigas do mundo.[5] Jerusalém é a cidade santa no Judaísmo e o centro espiritual dos judeus desde o século 10 a.C.[6] contém um número de significativos lugares antigos cristãos, e é considerada a terceira cidade santa cidade no Islão.[7] Apesar de possuir uma área de apenas 0.9 quilômetros quadrados (0.35 milhas),[8] a cidade antiga hospeda os principais pontos religiosos, entre eles a Esplanada das Mesquitas, o Muro das lamentações, o Santo Sepulcro, a Cúpula da Rocha e a Mesquita de Al-Aqsa. A cidade antigamente murada, um patrimônio mundial, tem sido tradicionalmente dividida em quatro territórios, ainda que os nomes usados hoje (os territórios armênio, o Cristão, judeu, e o muçulmano) forma introduzidos por volta do século 19.[9] a cidade antiga foi nominada para inclusão na lista do patrimônio mundial em perigo por Jordan em 1982.[10] No curso da história, Jerusalem foi destruída duas vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes, e capturada e recapturada 44 vezes.[11]
Hoje, o status de Jerusalém continua um dos maiores problemas no Conflito israelo-palestino. A anexação de Israel do leste de Jerusalém ocupado tem repetidamente sido condenado pelas Nações Unidas e órgãos relacionados,[12][13] e o povo palestino vislumbra o leste de Jerusalém como a capital do seu futuro Estado.[14][15] No surgimento da Resolução de segurança das Nações Unidas 478, a maioria das embaixadas estrangeiras saíram de Jerusalém.
Índice |
editar Etimologia
Ainda que a origem do nome Yerushalayim seja incerta, várias interpretações linguísticas têm sido propostas. Alguns acreditam que é uma combinação das palavras em hebraico "yerusha" (legado) e "Shalom" (paz), ou seja, legado da paz. Outros salientam que "Shalom"; é um cognato do nome hebraico "Shlomo", ou seja, o Rei Salomão, o construtor do Primeiro Templo.[16][17] Alternativamente, a segunda parte da palavra seria Salem (Shalem literalmente "completo" ou "em harmonia"), um nome recente de Jerusalem[18] isto aparece no livro de Genesis.[19] Outros citam as cartas de Amarna, onde o nome acadiano da cidade aparece como Urušalim, um cognato do Hebreu Ir Shalem. Alguns acreditam que há uma conexão a Shalim, a deidade beneficente conhecida dos mitos Ugaríticos como a personificação do crepúsculo.[20]
De acordo com um midrash (Gênesis Rabba), Abraão veio até a cidade, e a chamou de Shalem, depois de resgatar Ló.[21] Abraão perguntou ao rei e ao mais alto sacerdote Melquizedeque se podiam abençoá-lo. Este encontro foi comemorado por adicionar o prefixo Yeru (derivado de Yireh, o nome que Abraão deu ao Monte do Templo) [21] produzindo Yeru-Shalem, significando a "cidade de Shalem," ou "fundada por Shalem." Shalem significa "completo" ou "sem defeito. Por isso, "Yerushalayim" significa a "cidade perfeita", ou "a cidade daquele que é perfeito".[22] O final -im indica o plural na gramática hebraica e -ayim a dualidade, possivelmente se referindo ao fato que a cidade se situa em duas colinas.[23][24] O pronunciamento da última sílaba como -ayim parece ser uma modificação posterior, a qual não havia aparecido no tempo da Septuaginta.
Alguns acreditam que a cidade chamada de Rušalimum ou Urušalimum que aparece nos achados do Antigo Egito é a primeira referência a Jerusalém.[25]Os gregos adicionaram o prefixo hiero ("sagrada") e chamaram de Hierosolyma. Para os árabes, Jerusalém é al-Quds ("A Sagrada"). Foi chamada de Jebus (Yevus) pelos jebusitas. "Zion" incialmente se referiu a parte da cidade, mas depois passou a significar a cidade como um todo. Durante o reinado de David, ficou conhecida como Ir David (a cidade de David). [26]
editar Geografia
Jerusalém está situada a 31° 46′45″N 35° 13′25″E na extremidade de um planalto, a oeste do Mar Morto, a cerca de 50 quilómetros do Mar Mediterrâneo. A cidade situa-se num altiplano a 785 metros acima do nível do mar. Rodeado por vales, os que se encontram a norte são menos pronunciados que os restantes. As suas colinas são de calcário.
O clima de Jerusalém é seco e quente, com pluviosidade e temperaturas mais amenas no inverno. As temperaturas médias oscilam entre os 24 graus Celsius em Agosto e os 10 graus em Janeiro. A sua pluviosidade média anual ronda os 600 mm. Durante o outono e a primavera é comum a existência de um vento seco e quente, chamado em hebreu sharav ou khamsin em árabe. A humidade diária ronda em média os 62 % durante o dia, mas pode descer para 30 % ou 40 % durante o período do vento sharav.
editar A Cidade Antiga
|
A cidade de Jerusalém inclui o sítio Cidade Antiga de Jerusalém e seus Muros, Património Mundial da UNESCO.
|
A chamada "Cidade Antiga" é uma área em forma rectangular rodeada por uma muralha mandada construir em 1538 (ou 1542) pelo sultão otomano Solimão, O Magnifíco. Oito portões permitem o acesso à Cidade Antiga. Ela é o centro histórico de Jerusalém e nela se concentram os principais locais sagrados. Está dividida em quatro partes: a judaica, a cristã, a arménia e a muçulmana. A Cidade Antiga e as suas muralhas foram nomeadas pela UNESCO Património Mundial da Humanidade em 1981.
O bairro cristão ocupa a parte noroeste da Cidade Antiga e o seu monumento principal é a Basílica do Santo Sepulcro. Inclui o Portão Novo, partilhando o Portão de Jafa com o bairro arménio (que se encontra no sudoeste) e o Portão de Damasco com o bairro muçulmano. Nesta área passa também a Via Dolorosa, o caminho que se julga ter sido percorrido por Jesus com a cruz antes de ser crucificado.
O bairro muçulmano situa-se a nordeste e inclui o Portão de Herodes, o Portão dos Leões (ou Portão de São Estevão) e o Portão Dourado. Nele se situa o Haram ash-Sherif (conhecido como "Monte do Templo" pelos judeus), um santuário no Monte Moriá, onde estão duas mesquitas: a Cúpula da Rocha (ou Mesquita de Omar) e Mesquita de Al-Aqsa.
O bairro judeu, a sudeste, inclui a Portão dos Detritos e o Portão de Sion, a sul do qual se situa o Monte Sion e o Túmulo do rei David.
editar A Cidade Nova
A população que habita a parte Oriental é árabe, enquanto que a maioria dos habitantes da parte Ocidental de Jerusalém são judeus. Na parte Ocidental situam-se a Knesset (o parlamento de Israel, inaugurado em 1966)seu principal trasporte é o avião.
editar Governo
Atualmente Jerusalém é um município em Israel e também a sua capital e a sede do governo, embora não seja reconhecida como tal pela ONU e pela UE.
A cidade é governada por um conselho municipal composto por 31 membros eleitos cada quatro anos. Desde 1975, o presidente da câmara (prefeito) é eleito por sufrágio direto cumprindo um mandato de 5 anos e apontando 6 deputados. O prefeito atual de Jerusalém, Uri Lupolianski, foi eleito em 2003.[27] O Ministério para os Assuntos Religiosos israelita tem responsabilidade pelos locais sagrados da cidade, embora cada comunidade religiosa deva zelar pela preservação dos seus edifícios.
Órgão a parte de prefeito e deputados, os membros do conselho da cidade não recebem salários, trabalhando de forma voluntária. O prefeito que mais tempo serviu Jerusalém foi Teddy Kollek, que passou 28 anos, seis mandatos consecutivos, no posto. A maioria dos encontros do Conselho de Jerusalém são privados, mas a cada mês, mantém uma sessão aberta ao público.[27] Dentro do Conselho da cidade, grupos políticos religiosos formam uma facção especialmente poderosa, possuindo a maioria dos assentos.[28] A base do Município de Jerusalém e do gabinete do prefeito fica em Safra Square (Kikar Safra) na Jaffa Road. O novo complexo municipal, compreendendo dois prédios modernos e dez prédios históricos recuperados entorno de uma grande praça, foi aberto em 1993.[29] A cidade termina no Distrito de Jerusalém, com Jerusalém como a capital do distrito.
editar Status político
Em 5 de dezembro de 1949, o primeiro ministro do Estado de Israel, David Ben-Gurion, proclamou Jerusalém como a capital de Israel[30] e desde então todas os braços do governo de Israel — legislativo, judicial, e executivo — tem residido lá.[31] Na época da proclamação, Jerusalém foi dividida entre Israel e o Jordão e assim, somente o oeste de Jerusalém foi considerado capital de Israel. Imediatamente depois de uma guerra de seis dias em 1967, entretanto, Israel anexou o Leste de Jerusalém, a tornando de facto parte da capital Israelense. Israel conservou o status da "completa e unificada" Jerusalém — oeste e leste — como sua capital, em 1980 Lei básica: Jerusalém, Capital de Israel.[32]
O status de uma "Jerusalem unificada" como "eterna capital" de Israel[33][30] tem sido um problema de imensa controvérsia dentro da comunidade internacional. Entretanto, alguns países mantém consulados em Jerusalem, e duas embaixadas nos subúrbios de Jerusalem, todas as embaixadas estão localizadas fora da propriedade da cidade, a maioria em Tel Aviv.[34][35]
A não-vinculativa Resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tramitada em 20 de agosto de 1980, declarou que a Lei Fundamental eral "nula e de nenhum efeito e deve ser resolvida imediatamente. "Os Estados-Membros foram aconselhados a retirar a sua representação diplomática da cidade como uma medida punitiva. A maioria dos países restantes com embaixadas em Jerusalém cumpriram a resolução deslocando elas para Tel Aviv, onde muitas embaixadas já residiam antes da Resolução 478. Atualmente não existem embaixadas localizadas dentro dos limites da cidade de Jerusalém, embora existam embaixadas em Mevaseret Zion, na periferia de Jerusalém, e quatro consulados na cidade em si.[34] Em 1995, o congresso dos Estados Unidos tinha planejado mover sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalem com a aprovação do Ato da embaixada de Jerusalém.[36] Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos da América George W. Bush foi questionado que as resoluções do congresso aprovando o status de Jerusalem eram meramente admoestativas. A constituição reserva relações exteriores como um poder executivo, e como este, a embaixada dos Estados Unidos ainda continua em Tel Aviv.[37]
As instituições mais proeminentes em Israel, incluindo o Knesset,[38] a Suprema Corte,[39] e as residências oficiais do Presidente e Primeiro Ministro, estão localizadas em Jerusalém. Prioritariamente à criação do Estado de Israel, Jerusalem serviu como capital administrativa do mandato britânico, o qual inclui até o dia presente a Israel e a Jordânia.[40] De 1949 até 1967, o oeste de Jerusalem serviu como capital de Israel, mas não foi reconhecido internacionalmente como tal, porque a Resolução 194 da Assembléia Geral da ONU projetou Jerusalém como uma cidade internacional. Como resultado da Guerra dos Seis Dias em 1967, o conjunto de Jerusalém veio sob controle israelita. Em 27 de junho de 1967, o governo de Levi Eshkol prorrogou a lei israelita e a jurisdiçaõ para a Jerusalém Oriental, mas concordou que o conjunto da administração do Templo do Monte seria mantida pelo waqf jordaniano, no âmbito do Ministério Jordaniano de Dotação Religiosa.[41] Em 1988, Israel ordenou o fechamento da Casa Oriental, sede da Sociedade de Estudos Árabes, mas também quartel da Organização para a Libertação da Palestina, por razões de segurança. O prédio foi reaberto em 1992 como uma pousada palestina.[42][43] Os Acordos de paz de Oslo estatuem que o status final Jerusalém seria determinado pelas negociações com a Autoridade Nacional Palestiniana, que considera o leste de Jerusalém como a capital de um futuro Estado palestino.[14]
editar Demografia
Jerusalém é uma cidade heterogénea onde estão representados grupos de uma vasta diversidade religiosa, nacional e sócio-económica. A sua população é de 706 mil habitantes (2004), a maioria dos quais são judeus.
Cada comunidade da cidade habita em zonas residenciais próprias. Entre os judeus existem zonas habitadas por ultraortodoxos, conservadores e seculares. Nos bairros ultraortodoxos não é permitida a entrada de carros durante o Shabat.
A população muçulmana (que na sua maioria é árabe) é a mais homogénea da cidade, enquanto que a minoria cristã divide-se numa série de denominações. Os muçulmanos são na sua maioria sunitas.
|
|
editar Economia
Motivados pelo desejo de manter o carácter tradicional da cidade, as autoridades não encorajaram o desenvolvimento de indústrias pesadas dentro dos limites citadinos. Existem em Jerusalém algumas pequenas indústrias relacionadas com a indústria química e farmacêutica, indústrias de material eléctrico e electrónico, de processamento de alimentos, mobiliário, têxteis e papel.
O setor terciário, relacionado com os serviços públicos e com a administração do governo israelita, dá emprego à maior parte da população (cerca de dois terços). O turismo é particularmente importante para a economia local, encontrando-se ligado às peregrinações religiosas de europeus e habitantes da América do Norte, realizadas no contexto das festas judaicas ou de festas cristãs como o Natal e a Páscoa.
Apesar do rendimento médio dos habitantes da cidade ter crescido desde 1967, fruto em larga medida da actividade turística, existem situações de pobreza extrema entre muçulmanos e judeus ortodoxos residentes na Cidade Antiga, bem como entre os judeus oriundos das comunidades de África e da Ásia.
editar Cultura
Apesar de Jerusalem ser conhecida primeiramente pela sua significância religiosa, a cidade também é sede de muitos eventos artísticos e culturais. O Museu de Israel atrai perto de um milhão de visitantes por ano, aproximadamente um terço deles são turistas.[44] Os 20 acres do complexo de museus compreende vários prédios possuindo exibições especiais e coleções extensivas achados judaicos, arqueológicos e arte israelita e européia. Os pergaminhos do Mar Morto, descoberto no meio do século XX nas cavernas de Qumran perto do Mar Morto, estão hospedadas no Santuário do Livro.[45] A Ala Nova, cuja construção mudou as exibições e funciona um extensivo programa de educação em arte, é visitado por 100.000 crianças por ano. O museu tem uma larga escultura no jardim de fora, e um modelo no tamanho escala do segundo templo foi recentemente movido do hotel Holyland para uma nova localização no território do museu.[44] O Museu Rockefeller, localizado no leste de Jerusalém, foi o primeiro museu arqueológico no meio oeste. Foi construído em 1938 durante o mandato britânico.[46][47] O Museu Islâmico no Monte do Templo, estabelecido em 1923, guarda muitos artefatos islâmicos, do menor kohl cantil e manuscritos raros a colunas gigantes de mármore.[48]
Yad Vashem, o memorial nacional de Israel para as vítimas do holocausto, guarda a maior biblioteca do mundo de informações relacionadas ao holocausto,[49] com estimados 100.000 livros e artigos. O complexo contém um museu de arte que explora o genocídio dos judeus através de exibições que focam em estórias pessoais de indivíduos e famílias mortas no holocausto e uma galeria de arte apresentando o trabalho de artistas que pereceram. Yad Vashem também relembra as 1.5 milhões de crianças judéias assassinadas pelos nazistas, e honra os justos entre as nações.[50] O museu na junção, que explora erros de coexistência através da arte é situado na estrada divisória oriental e ocidental de Jerusalém.[51]
A Orquestra sinfônica de Jerusalém, estabelecida nos anos 40,[52] se apresentou pelo mundo.[52] Outros estabelecimentos de arte incluem o Centro de Convenção Internacional (Binyanei HaUma) perto da entrada da cidade, aonde a Orquestra Filarmônica de Israel se apresenta, a Cinemateca de Jerusalém, o Centro Gerard Behar (formalmente Beit Ha'am) na parte baixa de Jerusalém, o Centro de Música de Jerusalém no Yemin Moshe,[53] e o Centro Musical de Targ no Ein Kerem. O Festival de Israel, com performances externas ou internas por cantores locais e internacionais, concertos, peças e teatro de rua, tem sido mantido anualmente desde 1961; durante os últimos 25 anos, Jerusalem tem sido o maior organizador deste evento. O Teatro de Jerusalém na vizinhança de Talbiya é sede de 150 concertos ao ano, como também de companias de teatro e dança e artistas performáticos de além mares.[54] O Khan, localizado em um caravançarai oposto à estação de trêns da antiga Jerusalém, é o único teatro de repertório.[55] A própria estação se tornou um local para eventos culturais no anos recentes, como também o lugar de Shav'ua Hasefer, um local de exposição literária anual e de performances musicais externas.[56] O Festival de Cinema de Jerusalem é mantido anualmente, apresentando filmes israelitas e internacionais.[57]
O Teatro Nacional Palestino, por muitos anos o único centro cultural árabe no leste de Jerusalem, procura novas idéias e abordagens inovadoras para a auto-expressão palestina. [58] A Casa Ticho, no centro de Jerusalem, possui pinturas de Anna Ticho e coleções judaicas de seu marido, um oftalmologista que abriu a primeira clínica de olhos de Jerusalem neste prédio em 1912.[59] Al-Hoash, estabelecida em 2004, é uma galeria de preservação da arte palestina.[60]
editar Religião
Jerusalém tem uma grande importância simbólica nas três religiões abraâmicas, nela se situando locais que são sagrados para estas tradições religiosas.
No judaísmo, dois dos seus principais festivais, o Yom Kippur e o Pessach, terminam como a recitação e canto da frase: "No próximo ano em Jerusalém!". No calendário judaico Tishá b’Av (nono dia do mês de Av), relembra a destruição do primeiro e segundo templos de Jerusalém através da prática de um jejum. Durante este dia na cidade, centenas de pessoas dirigem-se ao Muro das Lamentações, onde rezam e choram.
Para o cristianismo, Jerusalém é o local onde Jesus Cristo viveu os seus últimos dias e onde foi crucificado. A primeira comunidade cristã nasceu em Jerusalém, sendo constituída pelos apóstolos.
No islão, Jerusalém é a terceira cidade mais sagrada do mundo, após Meca e Medina. Este estatuto relaciona-se com a sua associação aos profetas do monoteísmo, mas sobretudo pela tradição muçulmana afirmar que Muhammad foi para ali levado numa viagem nocturna conhecida como Isra, tendo depois ascendido ao céu no local onde hoje está a Cúpula da Rocha. Para além da peregrinação obrigatória a Meca (Hajj), que todo o muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida, existe também a tradição da realização de uma peregrinação a Jerusalém. A localidade foi durante muito tempo o ponto de partida de uma peregrinação regional feita ao túmulo do "Nabi Musa" em Jericó, local onde os muçulmanos acreditam que se situa o túmulo do profeta bíblico Moisés (esta peregrinação deixou de ser feita nos anos 50 do século XX).
editar História
A cidade de Jerusalém ao longo da história foi conquistada 36 vezes e por 7 vezes foi totalmente destruída. Há vestígios de povoamento com carácter fixo desde o século XX a.C., sendo que, de acordo com algumas fontes teológicas, a cidade já existisse na época do personagem Abraão com o nome de Salém, cujo rei chamava-se Melquisedeque. Entretanto, nem os textos bíblicos dizem claramente que Salém teria sido a Jerusalém primitiva, o que constitui, portanto, uma teoria.
Segundo a Bíblia, Jerusalém era uma cidade fortificada que se encontrava ocupada pelos jebuseus até ser conquistada pelo David no final do século XI a.C.. Tornou-se a capital do Reino de Israel e depois do Reino de Judá até Nabucodonosor II destruí-la por completo junto com o famoso Templo de Salomão no ano de 607 a.C., ocasião em que os hebreus foram levados como escravos para a Babilônia.
Com o fim do cativeiro babilônico, os judeus conseguem retornar para a sua terra de origem após do decreto de Ciro. Assim, sob domínio persa, os judeus reconstroem o templo e os muros da cidade.
Deve-se considerar que as fontes sobre Jerusalém antes da invasão por Nabucodonosor tratam-se de textos que foram preservados durante o cativeiro babilônico e que foram mantidos por escribas judaicos.
Durante o período helenista, a cidade e o seu segundo templo passa por um novo momento de destruição.
editar O domínio romano
Em 63 a.C., a cidade foi tomada pelo general romano Pompeu, mas a conquista não implicou a sua destruição. Jerusalém torna-se capital do reino de Herodes, o Grande, um reino-cliente do Império Romano.
Herodes lançou uma série de projectos que visavam restaurar Jerusalém e ganhar a simpatia dos judeus. Entre estes destaca-se a restauração do Segundo Templo, no qual gastou vastas somas de dinheiro. Foi este templo que Jesus Cristo conheceu e visitou. Para além disso, Herodes construiu um grande palácio na parte ocidental da cidade e um teatro. Mais tarde, o prefeito romano Pôncio Pilatos ordenou a construção de um aqueduto.
Em 70 d.C. Tito, filho do imperador romano Vespasiano, toma e destrói Jerusalém como forma de esmagar uma revolta iniciada em 66 d.C.. O Templo foi destruído por um incêndio e dele só ficou a muralha ocidental em seu redor, que ficou conhecida como "Muro das Lamentações".
Em 129-130 o imperador Adriano visita a cidade e decide pela sua reconstrução segundo um plano completamente novo. Adriano renomeou a cidade de Aelia Capitolina. Porém, a reconstrução teve que aguardar, pois em 132 inicia-se a revolta judaica de Bar Kokba que durará até 135. Com o esmagamento desta revolta pelos romanos, o imperador Adriano ordena a interdição dos judeus habitarem a cidade.
A imperatriz bizantina Eudocia autoriza o regresso dos judeus a Jerusalém (438) e manda construir a norte da cidade a Igreja de Santo Estêvão. Durante o período bizantino viria ainda a ser erigida a Igreja Néa, que o imperador Justiniano I dedicou à Virgem Maria (543).
Em 614 a invasão persa da cidade traduziu-se na destruição das muitas igrejas existentes. Jerusalém retornaria às mãos dos bizantinos em 628 com o imperador Heráclio, mas por apenas por mais uma década.
editar O primeiro período islâmico
Em 638 o califa Omar conquista Jerusalém. Duas mesquitas são construídas na área da esplanada do Templo: A Cúpula da Rocha (691) e a Mesquita de Al-Aqsa (715), que ainda se encontram no local, embora restauradas várias vezes (sobretudo a Mesquita de Al-Aqsa).
A população judaica e cristã da cidade era tolerada sob o domínio dos Omíadas e dos Abássidas, mas a situação alterou-se com a chegada dos Fatimidas ao poder em 969. O califa el-Hakim (996-1020) persegue cristãos e judeus e pretende destruir todas as igrejas e sinagogas. Os Turcos Seljúcidas conquistaram a cidade em 1071 e destroem o Santo Sepulcro. A notícia das perseguições aos cristãos e da destruição daquele espaço religioso geraram indignação na Europa, de onde são lançadas as Cruzadas.
editar O período das Cruzadas
A 15 de Julho de 1099 Godofredo de Bulhão, chefe da Primeira Cruzada, toma a cidade e faz dela a capital do Reino Latino de Jerusalém que terá como primeiro monarca o seu irmão Balduíno I. Jerusalém volta a ser uma cidade de maioria cristã, onde se fala a língua francesa. São construídas novas igrejas, entre as quais se deve salientar a Igreja de Santa Ana, e o Santo Sepulcro é reconstruído. Em 1187, o chefe muçulmano Saladino toma a cidade aos cristãos.
editar Lista dos Reis de Jerusalém Por ordem cronológica
- Godofredo de Bulhão, Advocatus Sancti Sepulchri (1099-1100)
- Balduíno I de Le Bourg, conde de Edessa (1100-1118)
- Balduíno II, conde de Edessa (1118 - 1131)
- Fulco V de Anjou (1131-1143)
- Balduíno III (1143-1162)
- Amalrico I (1162 - 1174)
- João I de Brienne, imperador de Constantinopla (1148 -1237)
- Guy de Lusignan, rei de Chipre e Jerusalém (1150 - ?)
- Conrad I de Montferrato, rei de Jerusalém (1160 - ?)
- Luis II de Anjou, rei titular de Nápoles (1377 - ?)
editar O período mameluco e otomano
Em meados do século XIII Jerusalém passou para as mãos dos Mamelucos do Egipto e a cidade foi perdendo o dinamismo que conhecera no passado, deixando de desempenhar um papel político, uma vez que os Mamelucos governavam a partir do Cairo. Em compensação a cidade torna-se um centro de estudos religiosos muçulmanos e a chegada em 1267 do rabino Moshe Ben Nahman da Península Ibérica traduziu-se no reavivar da comunidade judaica em Jerusalém. A expulsão dos judeus da Espanha em 1492 conduziu muitos à cidade.
Em 1517 a Palestina e a cidade de Jerusalém caem sob o domínio otomano que duraria até 1917. Sob o domínio do sultão Solimão, O Magnífico Jerusalém conhece a paz e a tolerância religiosa, tendo o sultão ordenado a reconstrução das muralhas. Durante este período a cidade permaneceu aberta às três religiões monoteístas. Em meados do século XIX o aumento demográfico implicou o crescimento da cidade para fora das suas antigas muralhas.
editar O período contemporâneo e Guerra Fria
Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, o general britânico Edmund Allenby tomou a cidade aos Otomanos. Os britânicos tornaram-se administradores da Palestina (termo que na altura se referia a uma área que é hoje ocupada por Israel, Faixa de Gaza, Cisjordânia e reino da Jordânia), de acordo com o mandato atribuído pela Liga das Nações e que terminou em 1948. A cidade de Jerusalém foi durante este período a capital deste território.
Entretanto, os conflitos entre os árabes e sionistas rebentam na década de vinte. Após o fim da Segunda Guerra Mundial alguns militantes sionistas iniciaram uma série de ataques bombistas contra os britânicos, entre os quais o ataque dos membros do Irgun ao hotel King David em 1946, que na época servia temporariamente como sede do poder britânico.
Em 1947 as Nações Unidas estabeleceram um plano que visava dividir a Palestina em dois estados, um judeu e um árabe. O plano previa que Jerusalém fosse uma cidade administrada pela comunidade internacional, com o estatuto de corpum separatum (em latim, "corpo separado"), sendo governada por um administrador designado pela ONU. Durante a primeira guerra entre o novo estado de Israel e os árabes, a cidade de Jerusalém foi um dos palcos do conflito. As forças da Jordânia entram em Jerusalém e tomam a zona oriental (onde se situam os locais sagrados), enquanto que as forças de Israel tomaram a zona ocidental, que tinham crescido durante a administração britânica e onde se situava o centro económico e as novas zonas residenciais. O armistício assinado entre Israel e a Jordânia a 3 de Abril de 1949 reconhecia a soberania de cada parte sobre as zonas conquistadas durante o conflito. Em 1950 Israel fez de Jerusalém a sua capital.
Durante a Guerra dos Seis Dias, em Junho de 1967, as forças israelitas tomam a zona oriental aos jordanos e a Knesset decreta a reunificação da cidade. Em 1980 uma lei da Knesset declara que Jerusalém é a "capital eterna de Israel", mas o Conselho de Segurança das Nações Unidas não reconhece esta lei (resolução 478).
Durante a primeira Intifada (1987-1993), a tensão entra a comunidade judaica e a comunidade muçulmana cresceu, e no ano de 1990 estalaram confrontos particularmente violentos entre o exército israelita e as forças contestárias.
O acordo de paz de 1993 levaria ao aparecimento na cidade de algumas instituições políticas e culturais ligadas aos palestinianos, ao mesmo tempo que cresciam novas zonas residenciais judias ao sul e ao norte. Em Setembro de 1996 surgem novos conflitos entre os palestinianos e o exército israelita, alegadamente motivados pela construção de um túnel entre o Muro das Lamentações e a Via Dolorosa, que os palestinianos argumentavam colocar em risco as mesquitas sagradas de Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha.
No ano 2000, o papa João Paulo II deslocou-se a Jerusalém, tendo visitado os locais sagrados do cristianismo e uma mesquita. O papa aproveitou a ocasião para reafirmar o pedido de desculpas pelo passado antisemita da Igreja Católica, tendo realizado uma oração no Muro das Lamentações. Em Outubro do mesmo ano a violência entre israelitas e palestinianos regressou, sob protexto da visita do político israelita Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, que terá sido o motivo para o início da segunda Intifada.
O estatuto definitivo de Jerusalém é um dos pontos mais delicados do conflito israelo-palestianiano. A Autoridade Nacional Palestiniana aspira fazer de Jerusalém Oriental a capital de um futuro estado independente palestiniano, mas ao mesmo tempo Israel não abdica da sua soberania em Jerusalém.
editar Transportes
O aeroporto mais próximo de Jerusalém é o Aeroporto Internacional de Jerusalém ou Aeroporto Atarot, que foi usado para voos domésticos até ao seu fecho em 2001. Desde então tem estado sob o controlo das Forças Armadas Israelitas devido a distúrbios em Ramallah e a Cisjordânia. Todo o tráfego aéreo a partir de Atarot foi desviado para o Aeroporto Internacional Ben Gurion, o maior e mais movimentado aeroporto israelita, que serve cerca de nove milhões de passageiros anualmente[61]
A Egged, a segunda maior empresa de autocarros do mundo,[62] lida com a maioria do serviço de autocarro local e intercidades que sai da Estação Central de Autocarros na Estrada de Jaffa perto da entrada ocidental de Jerusalém a partir da autoestrada número 1. Em 2008, autocarros da Egged, táxis e carros privados são as únicas opções de transporte em Jerusalém. Contudo, isto irá mudar com a construção do Light rail de Jerusalém, um sistema ferroviário que está em construção[63]. O sistema ferroviário será capaz de transportar cerca de 200 000 pessoas diariamente. Terá 24 paragens, e a sua conclusão está planeada para Janeiro de 2009[64]
Outra obra em andamento[64] é uma nova linha para comboio de alta velocidade de Tel Aviv para Jerusalém, que está planeada para 2011. O seu terminal será uma estação subterrânea (80m de profundidade) que servirá o Centro de congressos nacional e a Estação Central de Autocarros[65] e está planeado que seja eventualmente expandida até à estação de Malha. [[and is planned to be extended eventually to Malha station. Os Israel Railways operam serviços de comboio pra estação de comboios de Malha a partir de Tel Aviv via Beit Shemesh[66][67]
A Via Rápida Begin é uma das maiores vias transversais norte-sul de Jerusalém; vai desde o lado ocidente da cidade, fundindo no norte com a Via 443, que continua em direcção de Tel Aviv. A Via 60 atravessa o centro da cidade perto da Linha Verde entre Jerusalém Este e Oeste. A construção está a progredir em partes de uma via circular de 35 quilómetros à volta da cidade, providenciando ligações mais rápidas entre os subúrbios[68][69]. A metade oriental do projecto foi conceptualizado há decadas, mas reacção à autoestrada proposta é ainda mista[68].
editar Educação
Jerusalém abriga diversas universidades prestigiadas, com cursos oferecidos em hebraico, árabe, e inglês. Fundada em 1925, a Universidade Hebraica de Jerusalém[70] é uma das mais respeitadas instituições de ensino superior em Israel. A Comissão de Diretores já incluiu figuras judaicas proeminentes no campo intelectual, tais como Albert Einstein e Sigmund Freud.[71] A universidade também produziu vários laureados do Prêmio Nobel; dentre recentes ganhadores do prêmio associados com Universidade Hebraica incluem Avram Hershko,[72] David Gross[73] e Daniel Kahneman.[74] Um dos maiores bens da universidade é a Biblioteca Nacional de Israel, que abriga mais de cinco milhões de livros.[75] A biblioteca foi inaugurada em 1892, mais de três décadas antes da fundação da Universidade, e é um dos maiores repositórios do mundo sobre temas judeus. Atualmente, a biblioteca é ao mesmo tempo a biblioteca central da universidade e biblioteca nacional.[76] A Universidade Hebraica é constituída de três campi em Jerusalém, no Monte Scopus, no Givat Ram e um campus médico no Hospital Hadassah Ein Karem.
A Universidade Al-Quds foi fundada em 1984[77] para servir como principal universidade para os povos árabes e palestinos. Segundo a própria universidade, é descrita como a "única universidade árabe em Jerusalém".[78] A Universidade Al-Quds se localiza ao sudeste da cidade, num campus de 190 mil metros quadrados (47 acres).[77] Outra instituição de ensino superior em Jerusalém é a Academia de Música e Dança de Jerusalém e a Academia de Arte e Design Bezalel, que tem seus edifícios localizados nos campi da Universidade Hebraica.
A Faculdade de Tecnologia de Jerusalém, fundada em 1969, combina treinamentos em engenharia e outros campos de alta tecnologia com um programa de estudos judeus.[79] É uma das muitas escolas de Jerusalém, tanto do ensino fundamental quanto superior que combinam estudos seculares e religiosos. Existem, na cidade, diversas instituições religiosas e Yeshivas, sendo que a Mir yeshiva alega ser a maior.[80] No período de 2003-2004, haviam aproximadamente 8 mil alunos colegiais em escolas de hebraico.[2] Contudo, devido à grande quantidade de alunos no sistema Haredi, somente cinquenta porcento se matriculavam nos exames (Bagrut), e somente 37% estavam aptos a se formar. Ao contrário das escolas públicas, muitas escolas Haredi não preparam seus alunos para realizar os testes padrões.[2] Visando atrair maior quantidade de alunos universitários para Jerusalém, a cidade inicou uma série de incentivos financeiros para subsidiar moradia para os estudantes que alugam apartamentos no centro de Jerusalém.[81]
Colégios para árabes em Jerusalém e em outras partes de Israel são criticadas por oferecer uma educação de qualidade inferior à provida aos israelenses judeus.[82] Enquanto muitas escolas da Jerusalém Oriental, predominantemente árabe, se encontra à margem de sua capacidade, sendo criticada pela superlotação, o poder local de Jerusalém está construindo mais de uma dúzia de novas escolas nos bairros árabes da cidade. Três escolas, nos bairros de Ras el-Amud e Umm Lison, serão abertas em 2008.[83]
editar Esportes
Os dois esportes mais populares em Jerusalém, e em Israel como um todo, são o futebol e o basquetebol.[84] Beitar Jerusalem Football Club é um dos mais populares times em Israel. Dentre os seus fãs encontram-se vários antigas e atuais figuras políticas que mantém o compromisso de estarem presentes em seus jogos.[85] Outro grande time de futebol, e um dos maiores rivais do Beitar, é o Hapoel Katamon F.C. , enquanto que o Beitar foi campeão da Copa de Israel por cinco vezes[86], e Hapoel só ganhou a copa uma vez. Ademais Beitar joga na mais prestigiada Liga ha'Al, enquanto Hapoel se encontra na terceira divisão da liga nacional.
No basquete, Hapoel Jerusalem está em alta posição na primeira divisão, embora ainda não tenha ganho nenhum campeonato, o clube ganhou a copa nacional quatro vezes, e a Copa ULEB em 2004.[87] Desde sua abertura, o Estádio Teddy Kollek é o principal estádio de Jerusalém para sediar jogos de futebol, com capacidade para 21 mil pessoas.[88]
